A modernização das subestações de energia elétrica exige uma comunicação eficiente e padronizada entre equipamentos de proteção, controle e supervisão. Para isso, diferentes protocolos de rede são utilizados, garantindo interoperabilidade, segurança e desempenho na automação do sistema elétrico. A seguir, destacamos os principais protocolos usados em subestações.
1. IEC 61850 – O Padrão da Automação de Subestações
O protocolo IEC 61850 é amplamente adotado para comunicação em subestações digitalizadas, permitindo a troca de informações entre IEDs (Intelligent Electronic Devices) sem a necessidade de protocolos proprietários.
Principais características:
- GOOSE (Generic Object-Oriented Substation Event): Comunicação de eventos em tempo real, usada para intertravamentos e proteção.
- Sampled Values (SV): Transmissão de amostras digitais de corrente e tensão.
- MMS (Manufacturing Message Specification): Comunicação SCADA entre equipamentos e centros de controle.
- Alta velocidade e interoperabilidade entre dispositivos de diferentes fabricantes.
2. DNP3 (Distributed Network Protocol)
O DNP3 é um protocolo amplamente utilizado na automação de subestações, especialmente na América do Norte. Sua principal função é a comunicação entre RTUs (Remote Terminal Units), relés de proteção e sistemas SCADA.
Diferenciais do DNP3:
- Suporte a comunicação serial (RS-232, RS-485) e TCP/IP.
- Alta confiabilidade, mesmo em redes com latência elevada.
- Mecanismos de segurança para autenticação de mensagens.
3. IEC 60870-5 (IEC 101 e IEC 104)
Este protocolo é muito usado na Europa e em sistemas SCADA para comunicação entre centros de controle e subestações.
- IEC 60870-5-101 (IEC 101): Para redes seriais (RS-485, RS-232).
- IEC 60870-5-104 (IEC 104): Versão baseada em TCP/IP, mais eficiente para comunicação moderna.
4. Modbus
O Modbus é um protocolo tradicional usado em CLPs (Controladores Lógicos Programáveis) e sistemas de controle industrial.
- Modbus RTU: Baseado em comunicação serial.
- Modbus TCP/IP: Versão para redes Ethernet, permitindo integração com sistemas modernos.
5. IEEE 1588 (PTP – Precision Time Protocol)
A sincronização precisa de tempo é essencial em sistemas elétricos. O protocolo IEEE 1588 permite a sincronização de dispositivos da subestação com precisão de sub-microsegundos, sendo fundamental para sistemas baseados em IEC 61850-9-2 (Sampled Values).
6. IEEE C37.118 – Medição Fasorial
O protocolo IEEE C37.118 é utilizado para a comunicação entre PMUs (Phasor Measurement Units) e centros de controle. Ele possibilita a análise em tempo real de oscilações do sistema elétrico, melhorando a estabilidade da rede.
Conclusão
A escolha do protocolo adequado depende das necessidades da subestação e do nível de automação desejado. IEC 61850, DNP3 e IEC 60870-5-104 são os mais utilizados em subestações modernas, enquanto protocolos como Modbus e IEEE 1588 complementam a comunicação e sincronização de tempo.
Com a evolução das redes inteligentes (Smart Grids), a integração desses protocolos será cada vez mais essencial para a confiabilidade e eficiência do setor elétrico.
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